23/06/2017

O winter, ele is coming.

Esse post é patrocinado por uma iniciativa Jon Snow Feelings, baseando-se no anexo que segue abaixo:
Vocês já perceberam que às vezes o pessoal na internet superestima o inverno enquadrando o gosto por ele numa categoria cult? Sabe, tal como é quase uma ''modinha'' (detesto usar esse termo, mas okay) gostar de pandas, ou de dias chuvosos, mesmo que eles caguem (os dias chuvosos, não os pandas) a vida de qualquer pessoa que sai pra rua de all star ou sapatilha; mesmo que dias ininterruptos de chuva façam com que uma montanha LITERAL e nada cheirosa de roupas sujas fique acumulada no cômodo designado para ser a lavanderia da sua casa; mesmo que uma ida à padaria de chinelos seja totalmente impossibilitada pela quantidade enorme de poças mortíferas que surgem como obstáculo no caminho; mesmo que o pé de qualquer um que sai sem coturno destinado a trilhar trajetos normais se transforme, invariavelmente, num mini pântano particular; mesmo que andar à beira da estrada vire um suspense do mal porque você fica com medo de passar por um carro cujo motorista é o Ivo Holanda gravando uma pegadinha pro Silvio Santos, na qual você será a vítima porque ele está pronto para passar a mil pela poça enorme que está só a alguns metros de você, tocando aquele mix de terra, sujeira de esgoto acumulada e água da chuva na sua cara inteira... Mesmo e apesar de todas essas coisas, ainda assim é super normal e de praxe, quase um regra, ler ou ouvir frases, principalmente na internet, do tipo ''ui, dias chuvosos do amor; chuva amo demais; melhor coisa é chuva; viva chuva; chuva é a coisa mais legal que cai do céu depois de hamburguer em filme da Disney'' e blablabla.
Eu vejo o pessoal endeusando (exagero meu, eu sei, mas ME DEXA) chuva na internet e fico me perguntando se GENTE, vocês gostam de andar na rua como se o chão fosse um campo minado (por causa da quantidade de poças e barro espalhados)? Vocês acham legal sair com um guarda-chuva com uma das arestas quebradas tocando pingos na sua cara cada vez que você se balança (balançar = andar)? Você acha bacana chegar da rua, tirar o sapato e as meias e descobrir que metade do seu pé MORREU de tanto levar água em cima, mesmo que você pudesse jurar que só tinha pisado em superfícies suficientemente secas e seguras? Vocês por acaso são míopes e ficam enxergando o mundo e as pessoas através de um filtro de pingos de chuva porque é 2017 mas ainda não inventaram para-brisas pra óculos? Enfim, fico me perguntando todas essas coisas sobre quem gosta de chuva e declara isso ao mundo na internet, porque, super respeito e me divirto com isso, e eu AMO ela também, sim, mas SÓ PRA DORMIR, TOMAR BANHO DE CHUVA COM OS AMIGOS DE INFÂNCIA OU TER COMO TRILHA SONORA PRA LER UM LIVRO.
Gostar de chuva meio que parece uma coisinha cult, vocês tão acompanhando meu raciocínio? Quer dizer, experimenta dizer que odeia chuva no seu feed do facebook e vê quantos defensores dos pingos celestes vão comentar o contrário.
Juro que esse post não tem quase nada de Game of Thrones.
O mesmo acontece com o inverno/frio. ''Amo inverno; melhor estação do ano; ninguém merece calor; adoro tirar os agasalhos da gaveta; quando as pessoas dizem que não gostam de inverno [insira aqui emoji de escárnio]'', e parece meio ''cult'' gostar de inverno porque quando se fala em verão a gente logo imagina um monte de sardinha humana suando e exalando odores fétidos no transporte público e ninguém quer ser associado a isso; logo, fica meio ''feio'' e ''vergonhoso'' dizer que ''eu não gosto de inverno, meu negócio mesmo é o verão'', porque isso acaba equivalendo, mesmo que sem querer, a ''prefiro andar na rua vendo gente seminua suando a ficar embaixo das cobertas assistindo a uma sitcom enquanto tomo chocolate quente''. Tão me entendendo? Quer dizer, são duas imagens bem distintas e antagônicas que visualizamos quando nos deparamos com esses dois tópicos.
SÓ QUE, a gente nunca vê a figura completa. Quer dizer, verão não é só bundas suadas sambando e inverno não é só chazinho quente e ler livro confortavelmente ao lado do fogão a lenha enquanto a vó tricota casaquinhos pra você.
Tendo dito isso, afirmo-lhes: eu não gosto de inverno. Aí você já me imagina adorando caminhar de short curtíssimo no calor escaldante do centro, pingando suor e sambando porque viva verão, viva carnaval, né? MAS NÃO. Porque, apesar do verão não ser só isso (como eu fiz questão de discorrer nos trezentosevinteeseis parágrafos acima), também não sou muito fã dele, não. Nem do inverno. Meu negócio é outono, meio termo, roupinha leve, frescor ameno e folhas secas bonitinhas.
É que eu não gosto de sentar em vaso gelado querendo chorar; sofrer quando água fria escorre por dentro da manga de lã quando vou lavar as mãos; querer decepar minha própria cabeça que virou um iceberg quando lavo o rosto sem água quente da chaleira; ter choque térmico toda vez que saio de baixo das cobertas de manhã (mentira, acordo três da tarde); ter que contar até duzentos três e "força, Carolina, YOU CAN DO IT" antes de passar desodorante roll-on; não poder usar chinelo dentro de casa (amo sou) por motivos de necrosamento; acabar com as mangas dos meus moletons porque no desespero são elas que tem que lidar com meu nariz pingando ÁGUA; carregar trocentos rolos de papel higiênico pra cima e pra baixo e virar melhor amiga deles porque são eles que têm que lidar com meu nariz escorrendo CATARR... você entendeu. Enfim, no inverno sofro coisas que não gosto de sofrer.
E já que eu defendi bastante meu  ponto de vista nessas mil linhas de texto (sério, alguém vai ter saco pra ler tudo isso?, porque eu já tinha largado de mão...) escritas acima, vou aproveitar um dos temas da Blogagem Coletiva desse mês na Café Com Blog, o inverno, pra dizer como fica minha vida nessa época e qual é minha história (de amor ou de drama, quem sabe...) com essa estação tão querida por várias people privilegiadas, certamente. =)
Pra começar aqui no Sul (''eu sou do Sul, é só olhar pra ver que eu sou do Sul, a minha terra tem o céu azul, é só olhar e ver...'' - tá, parei com a musiquinha, mas MELHOR MÚSICA TRADICIONALISTA PESQUISEM) o inverno é aquela coisa à parte que todo mundo já sabe (só nem todo mundo vive), e minha conclusão inicial quanto a ele se baseia em três pontos: se você tem agasalhos bons e básicos (mentira, nada de básico, é trinta meia calça por baixo e luvas nas orelhas) pra sua subsistência, COBERTAS PLEASE e, prin.ci.pal.men.te (já chego lá), um bom chuveiro, você sobrevive. É duro, é complicadinho, dá vontade de chorar (a lágrima congela, inclusive, difícil lidar) no cantinho, mas é minimamente suportável, você tem condições de passar por ele, você sobrevive. Entende?
Mas aí vamos lá, exploremos esses três pontos. 
Eu não sou friorenta (pois é, mas me incomodo mesmo assim), tenho TERROR a gola alta de lã e blusas de lã em geral, e normalmente tô de brusinha comprida e moletom enquanto o pessoal tá tipo:
Mas, ocasionalmente sempre sofro mesmo assim, porque  aqui é Brasil assim é a vida..
Durmo com duas cobertas, atualmente um edredom que tá se ''desfiando'' nas pontas e isso faz com que eu meio que acorde amarrada e semi enforcada nos trezentosenoventaenove fios e CORDAS soltas, além de me render umas tropeçadas e espatifadas bonitas no chão quando tento descer da cama (durmo na parte de cima de um beliche, cês visualizem a cena) sem ver que tem uma a forca de edredom ao redor do meu pescoço ou amarrada na minha alma no meu pé. Mas ok, até aí eu suporto.
O problema é o terceiro item da minha lista de sobrevivência: O CHUVEIRO.
Acontece que aqui em casa tem certamente algum tipo de maldição lançada à peça da casa que compõe o banheiro. Não há chuveiro que dure no quente, eles queimam. 
Então, você tá lá de boa (pfffff, aham) pelada no meio do banho quente e começa a sair uma fumaça preta tóxica e claramente letal do chuveiro. Nesse momento, euvocê, nua como veio ao mundo, se depara com o seguinte impasse (questões optativas coming):
Eu:
A) Tento tomar meu banho quentinho (como todo ser gaúcho em inverno merece) em, tipo, 25 s.e.g.u.n.d.o.s antes de queimar e a água fria cair na minha cabeça trazendo morte e destruição;
B) Tento tomar meu banho quentinho (como todo ser gaúcho em inverno merece) em, tipo, 25 s.e.g.u.n.d.o.s e, milésimos antes de saber (se eu puder prever com minhas skills de Sherlock Holmes) que ok, é AGORA, VAI QUEIMAR, desligo o chuveiro, saio de fininho como quem não quer nada e deixo o próximo membro da família que for se aventurar no recinto do desespero banheiro descobrir, assim do nada, que opa FUUUKKKKKK;
3) Fico no quente desfrutando meus últimos segundos de vida quente e morro de intoxicação pela fumaça tóxica do mal antes de conseguir desligar o chuveiro.
J) Troco pro morno (que no inverno é na verdade fucking frio - e não exclui a possibilidade de queimar porque Lei de Murphy) e saio do banho chorando. Literalmente chorando (relatos baseados em fatos reais);
&) Acabo tomando o banho frio e morro (baseado em fatos reais - tá, eu não morri *spoiler*, mas decididamente foi uma das duas únicas vezes na minha vida em que tive CERTEZA que iria morrer; conto a outra em outro post);
19) Desisto do banho, saio com sabão por tudo, dois quilos de espuma de shampoo e me visto porque dane-se, minha vida, minhas decisões;
F) Não tomo banho (essa não rola porque eu sou aquele tipo de pessoa que não VIVE se não estiver se sentindo devidamente limpa; se eu fosse numa turnê com o Michael Jackson, por exemplo, mas não tivesse conseguido tomar banho antes de sair, ia estragar o rolê mesmo sendo o morto FUCKING MICHAEL JACKSON).
Então na minha casa a coisa costumava ser meio que sempre assim:
Com um traço em negrito em HOT obviamente,
porque como eu já disse, aqui em casa não rola.
Então cês entendem que, como criatura nascida, vivida e sofrida criada no RS, SEM UM CHUVEIRO QUE PRESTA, eu passei a minha infância e adolescência inteira com TRAUMA, gente, TRAUMA t.r.a.u.m.a da ''hora do banho no inverno''. Não há cena de sexo vista com 6 anos ou Fofão que supere esse tipo de trauma de infância.
Criatura com pacto claramente identificada.
Eu tenho várias histórias de sofrimento com chuveiro pra contar sobre quando ele queimava. Quer dizer, você sabe o que é tomar banho de bacia com a sua mãe entrando a cada cinco minutos no box pra repor o estoque de água quente com uma chaleira (perceba que você está pelado durante o processo), tremendo como quando o crush aparece do nada atrás de ti, lindo enquanto você tá descabelada, feia, suada e com meia por cima do moletom comprando pão na padaria, e batendo dente num ar frio estilo Winterfell porque o frio aqui ele ATRAVESSA tudo? Você sabe como é isso? NÃO. É. LEGAL.

~~🌼~~
Pausa para parte linda do post: no momento o nosso chuveiro aqui em casa é o que tem potencial mais quente entre os que já tivemos, do tipo que pode literalmente QUEIMAR você (lindo isso, gente; nunca tive, sensação de sonho realizado) se você quiser e isso é incrível, super tô amando os meus bainhos (eu adoro tomar banho, mas né, nas condições citadas anteriormente era prova de fé).
[P.S.: esse chuveiro também já queimou e tivemos que consertar duas vezes até então, mas tô tentando não deixar isso me abalar, Deus no controle.]
                                                                           ~~🌼~~
Fim da pausa.

Outro sofrimento: eu e meus irmãos íamos de bicicleta, às sete e meia da manhã (VOCÊS TEM NOÇÃO DE COMO TÁ O FRIO AQUI A ESSA HORA NO INVERNO?), à escola que ficava a 3 km, porque não tínhamos 25 mil reais pra pagar combi escolar e meu pai ou saía antes pra trabalhar ou ''eu vivi na roça, sei o que é sofrer e vocês podem aguentar isso, SE VIREM''. Eu não tô zoando, eram três fucking quilômetros de sofrimento, dedos mortos porque eles ficavam na frente de guerra segurando o guidom e aguentando o vento batendo direto, sem falar no CICLONE de vento que estourava na gente quando descíamos lombas (era quase radical).
A gente chegava rindo e chorando ao mesmo tempo (porque eu e meu irmão não sabemos levar a vida a sério) e eu não tô de sacanagem, uma vez tinha gotículas congeladas nos cílios dele. Totalmente quis chamar o Discovery Channel mas tava sem créditos no celular.
A gente quando chegava na escola. *WE ARE WINNERS*
Tive uma colega na escola que uma vez foi ENROLADA NUMA COBERTA - SIM (rosa pink com bolinhas) mesmo porque tá frio para um caramboli, porque dane-se, porque estética e moda que vá para o inferno, porque não tô aqui pra agradar a vista de ninguém.
Ela assistiu a aula tipo assim:
#VIVAALIBERDADEDEVESTIMENTAINDIVIDUAL
Outro drama é quando você, porque não tem dinheiro pra ônibus, porque sua mãe não sabe dirigir, porque seu pai tá dormindo e nem um pouco a fim de dar carona, porque seu irmão mais velho ainda não comprou um carro, porque você foi mirado por Murphy ao formular a lei ou porque a vida, ela sucks, tem que ir caminhando aos lugares, com os pés mesmo e sem a proteção de uma caixa metálica (carro) contra o vento, no mais absoluto frio de -579°C. Tudo isso com o pé empedrado porque comprar coturno ou bota de hello, galera de cowboy à prova de inverno não deu porque custava a sua alma então tem que sair de all-star mesmo. E como não é socialmente aceitável #SociedadeOpressora sair com um cachecol enrolado na TESTA, você chega aos lugares mais ou menos assim:
Outro drama: os dias com tornados disfaçados de vento. 
GENTE. Quando tá frio, você sofre mas sabe lidar, mas quando tá frio COM UM VENTO, mas UM VENTO, tipo, O V.E.N.T.O, de derrubar você, sua temperatura e seu emocional, não se sabe como lidar. Tá 10°C mas a sensação térmica é de -47, porque O V.E.N.T.O.
O vento ESPANCA a sua cara e te deixa sem forças pra continuar, ele transtorna tudo. Ele faz você tentar lutar já fracassando miseravelmente.
Quando você sai, ele te confronta covardemente assim:
OUTRO DRAMA (são muitos, eu sei): sua mãe. Quando você, segundo ela, não tem idade pra saber como decidir se vestir pro inverno. 
Sua mãe é uma boa mãe, sua mãe só quer seu bem, sua mãe te ama, viva sua mãe. Mas ela te obriga a sair tipo assim (abaixo) e isso, mãe, maculou minha infância e minha moral com os coleguinhas.
Ah, eu já falei que eu, simplesmente tenho, tipo assim, alergia ao frio? Minha pele é sensível pra tudo e me faz sofrê o tempo inteiro. E quando chega o inverno (juro que tive que pensar duas vezes se a grafia era ''inverno'' ou ''inferno'' agora) ela simplesmente decide que vai se queimar. com. o. frio. (?), porque a minha vida e o meu organismo fazem, tipo, muito sentido sempre. Minha cara fica toda vermelha, descasca e tenho que passar creme pra não morrer porque ela coça como aquela coceira desgraçada que dá no olho quando você já passou o rímel, sombra e tá toda pronta e produzida (mentira, é bem pior, tipo catapora e SEGUREM MINHAS MÃOS PORQUE VOU ARRANCAR MINHA PELE COM AS UNHAS SOCORR).
#EuAmoOMeuCorpoEOrganismoEVida (só que eles não me amam de volta).

Algumas outras pequenas considerações que envolvem frio/inverno/vida/desgraça:

1 - Uma merda dessas (abaixo) só é aceitável no tipo de inverno mencionado acima. Não me venham desfilar com essas desgraças em passarelas dizendo que ok, super tendência, você super tem que comprar porque MODA, se não souber usar é pobre, é brega, não entende das cousa de tapete vermelho de Holiúdy. POR FAVOR. Toquem fogo nessas desgraça when september the winter ends.
2 - Você nunca vai achar uma roupa dessas (abaixo) pra comprar na Pompéia, Renner, C&A ou Casas Bahia (vai que...) e isso é muito triste.
3 - Eu nunca vou aceitar muito a frase ''as pessoas ficam tão mais elegantes no inverno'' porque, amigos, eu detesto ver até o pâncreas das pessoas no peladismo usual do verão, mas elegante? No inverno? Eu não sou elegante nunca, e se você me visse aqui, agora, acocorada escrevendo esse texto, com quinze moletons, pantufa com sola descolada e minha gata formando uma bola que parece uma gravidez mutante dentro do meu casaco para aquecer-nos mutuamente, você diria que no inverno sou muito menos elegante ainda (menos que nunca, tem isso?).
Eu no inverno (minha irmã tirou, olha como somos migas apoiadoras uma da vergonha da outra):
SEM. MAIS. DISCUSSÃO.
4 - Quero abraçar quem pensou nesse meme do mapa do RS.
A versão Santa Maisfria mudou minha vida (se você não está
familiarizado com os nomes das cidades aqui do RS, pesquise
pra poder se engasgar rir de Bagélio tanto quanto eu ri).
Então é isso, temos que reconhecer que inverno faz sofrer também e não é só aquela coisa elegante e fofa e vou ficar debaixo do edredom com o boy que a gente pinta no instagram. Então se você ama inverno (super te admiro) e um amiguinho ou amiguinha sua diz que não gosta muito, não fique pensando que ele gosta de perder 30 litros de água corporal em suor, ficar sentando em banco de ônibus grudento ou sambando pelado no verão. Não menospreze o amiguinho. Pense que ele (eu, olar) talvez, sei lá, goste da amenidade do outono; teve tanto trauma com chuveiro frio no inverno quanto uma geração inteira teve com o Fofão; tomou banho de bacia e chaleira enquanto tremia de frio; teve os cílios congelados andando de bicicleta por 3km pra ir à escola num frio de 3° às sete da manhã; só conseguiu comprar uma bota quente depois de grande; foi derrubado pelo vento no inverno mais vezes do que foi derrubado pela vida (na verdade, as duas ocorrências entram na mesma categoria); foi sufocado pelas mil camadas de roupas quentes que sua mãe o obrigava a usar; tem FOBIA de gola alta e lã ou, sei lá, simplesmente não sabe se vestir nessa estação... como em todas as outras.
Okay? Okay.

13/06/2017

Drácula

De Bram Stoker
Como eu já disse aqui, a biblioteca que ficava na rua em que eu moro (uma avenida movimentada), e que havia se mudado para uma reforma no prédio, voltou para o mesmo terreno recentemente, depois de mais de um ano fora (nem sei onde ela esteve, mas como é um lugar longe de mim, já detesto). Fui muito faceira reencontrar a querida que estava de cara nova. Dentre os novos exemplares (eu sou sócia da biblio há uns 25 anos - e olha que eu só tenho 19 - então eu meio que conhecia de cabeça cada título, e foi fácil reconhecer os que estavam lá pela primeira vez) que surgiram entre aquelas estantes, esse clássico, numa edição de seiscentas e poucas páginas, chamou minha atenção em intensidade suficiente pra me fazer decidir que ele seria um dos primeiros livros daquela remessa que eu levaria pra casa; estou falando de Drácula.
Eu sei que a qualidade da foto tá uma droga,
mas perceba que eu tive o cuidado de fotografar
o livro com um fundo vermelho, pra combinar
com o sangue das vítimas. <3
Logo nas primeiras páginas do romance o estilo gótico e rebuscado da narrativa, que se encontra em obras do gênero (com destaque especial a Frankenstein porque o texto é meu e eu QUERO), se faz notar de maneira marcante, acentuada e indissociável do conjunto da obra. Percebemos uma escrita densa, rica e com certas nuances que nos carregam da primeira à última página num ritmo gostoso, com o qual nos encontramos sincronizados ao término dos eventos.
O ritmo do livro, para mim, conseguiu ser leve, apesar de sua inegável densidade. Stoker desenvolveu a história de uma maneira rica e agradável, conduzindo os personagens e o enredo através de situações em constante mutabilidade, mas sempre com um ritmo progressivo. Minha leitura conseguiu entrar em harmonia com o compasso estabelecido pelo escritor e isso, além do tema do livro (vampirrrrrosss, criaturas da noite, somos gótekas, vamô chupar sangue uhuuulll) e seus ares sombrios, me fez guardar essa escrita no fundo do <3.
Toda a narrativa é desenvolvida através de diários dos personagens centrais envolvidos no encanto maligno de Drácula, anotações, recortes de jornais e cartas, fazendo com que nosso narrador personagem mude constantemente e seja circular, indo de um protagonista a outro, nos permitindo observar o decorrer dos eventos através de vários prismas diferentes; essa característica certamente marcou o romance através dos anos, tornando-se uma das suas principais e mais notáveis singularidades (embora esse formato já tenha sido adotado com certa frequência). Tal como ocorre com obras teatrais de Shakespeare, por exemplo, esse molde empresta um ritmo diferenciado ao livro, diferente de uma narrativa linear simples; costumo me incomodar um pouquinho (pelo menos no início) com essas ''quebras'' no decorrer das páginas, mas com Drácula consegui imergir bem na história, a ponto de mal reparar nessas ''rupturas'' específicas. Nossos personagens, coincidentemente, são todos escritores tão bons quanto Stoker, e sabem conduzir uma história em seus diários. (Hehehe - eu rio das minhas próprias piadas e trocadilhos por motivos de saúde emocional.)
Bom, até agora eu só falei de ''detalhes técnicos'', como eu digo, sem entrar em grandes informações sobre o enredo; então vamos lá.
Nosso primeiro narrador é Jonathan Harker, advogado encarregado de ir a um castelo na Transilvânia para ajudar o, até então, apenas um conde quase normal e só um pouco sinistrinho, Drácula, nos entrames legais da aquisição de uma propriedade em Londres, que ele almeja comprar. Ao longo de algumas poucas semanas como hóspede do conde, no entanto, Jonathan se percebe na verdade um prisioneiro naquele castelo (não lembro se era bem um castelo a la Cinderela, mas vamos fingir que sim porque aí o clima fica mais legal). A partir dessas percepções iniciais (que vão se desenvolvendo gradativamente) que o personagem tem sobre o tinhoso (ninguém merece minhas expressões bostas, mas okay), enquanto é seu hóspede, toda uma série de desconfianças e inseguranças a respeito do conde misterioso começam a ficar mais notáveis para Harker; a criatura capirótica (derivada de ''capiroto'' - acabei de inventar, adorei e vou usar) NUNCA comia nada (ao menos não na frente de seu ''hóspede''), não tinha sua imagem refletida nos espelhos, parecia se comunicar com lobos, tinha um vigor físico extremamente surpreendente (o conde, inicialmente, é um velho) e a lista de esquisitices só faz crescer. Então Jonathan, gradativamente mas em avanço constante, passa a temer profundamente aquele homem que só lhe transmite calafrios e sensações horríveis, e quando o conde percebe que sua natureza bestial está se evidenciando, começa a tratar Harker de maneira perversa e dissimulada.
Uma série de eventos perturbadores envolvendo o conde e toda a sua aura sinistra passam a acometer Jonathan, que cai numa espiral de acontecimentos e visões loucas e traumáticas que ele registra no diário de viagem que escrevia para a noiva, Mina Murray. Posteriormente, quando a narrativa, súbita mas previsivelmente, muda de cenário e se dirige a Londres, com Mina e sua amiga Lucy; um Jonathan outrora adoecido por traumas e recém recuperado; dois médicos, um de um asilo de loucos e outro um professor renomado; o noivo de Lucy e mais um jovem amigo, todos os mistérios descritos no diário, esquecidos por Harker ao adoecer, passam a virar roteiro desse grupo. Quando a jovem e bela Lucy misteriosamente adoece após passeios sonâmbulos empreendidos durante a noite e surge com duas marcas bem suspeitas no pescoço, que a princípio passam despercebidas, os conhecimentos do velho e experiente médico professor, que se desloca e integra o grupo especialmente para tratar a jovem, fazem com que os horrores passem a ter sua temível e horripilante (frase de sinopse de filme de terror, oi) causa conhecida: Drácula a atacou e vinha se alimentando dela, assim como era responsável por uma série de desaparecimentos que tomaram conta das noites de Londres.
Após uma série de fatalidades que envolvem as pessoas mencionadas acima, tornando-as ligadas pelos laços da tragédia, o que se segue é uma missão em conjunto empreendida pelo grupo, que tem uma única resolução em mente: fazer justiça pelas vítimas do conde, agora já conhecido como vampiro Drácula, e promover vingança, acabando com a tal criatura ''esquecida por Deus''.
Como Drácula, já tendo resolvido as pendências da adquirição de sua nova propriedade (de localização desconhecida pelo grupo de avengers - não pude deixar a piada passar, sorry) em Londres, se desloca para a cidade, grande parte da caçada ao vampiro se dá pela própria Europa, embora o rumo de nossos personagens se altere bastante do início ao fim da empreitada. O que se segue pelas quatrocentas e tantas páginas são obstáculos, desafios, descobertas, mistérios, embates e uma infinidade de outras ocorrências que o grupo enfrenta até o trunfo ou fracasso (porque vou partir do pressuposto de que você também não conhece o final oficial, como eu, e não vou spoilerar a coisa) final.
Vale mencionar que nessa parte do livro, quando o conde já estendeu suas influências para além de Jonathan Harker enquanto hóspede em seu castelo, a visibilidade que temos sobre o personagem Drácula é pouquíssima; ele não é narrador em nenhum momento e tudo o que vemos/sabemos dele ocorre através da visão dos outros personagens.
Mas enfim, vou parar de falar sobre o enredo agora e dizer que tipo de impressões o livro deixou em mim.
Como já enfatizei bastante no início dessa resenha, achei o estilo da escrita totalmente encantador, e posso utilizar o clichê ''o livro me transportou para tal cenário...'' porque, como se eu estivesse sob o poder de algum encanto, foi decididamente isso que Stoker conseguiu fazer comigo nessa leitura. Sabe esse ritmo, essas palavras rebuscadas e bonitas, esse refinamento, esse tom, esse jeito que a só literatura gótica consegue transmitir ao leitor? Então, senti tudo isso e me apaixonei de novo. Claro que preferências variam, e o que se aplica a mim pode estar longe de dizer respeito a você, mas esse é um daqueles livros que, independente do desfecho da história ou da mensagem a passar, eu leria só pra poder apreciar a escrita, as voltas em cada linha, as nuances de cada parágrafo, os pontos distribuídos aqui e ali. Leria só pra poder saborear isso, sabe? E li, e saboreei e foi lindo - apesar daquele dramatismo exacerbado e teatral, beirando a comicidade, que a gente encontra em narrativas dessas épocas.
Outra coisa que gostei foi da Mina Murray!!! Vida longa à Mina, amém. Ela defendeu e cuidou da amiga Lucy o quanto pôde, descobriu altas tretas sobre o vampirozo, bolou vários planinhos e, apesar de ter os homi constantemente se pondo no papel de defensores galantes do sexo frágil perto dela, seus conhecimentos foram peça fundamental na luta contra a criatura. Não sei quanta representatividade Stoker poderia querer estar dando conscientemente a ela e às mulheres de maneira geral no livro (isso fica pra outro texto, talvez, se eu estiver com muuuuita disposição pra pesquisar sobre o senhor Stoker e seu possível engajamento nessas questões...será?), mas gostei pra caramba da moça na história, apesar de seu espaço limitado.
Porém, essa leitura também deixou algumas faltas, ao menos para mim. Gosto de poder chegar ao final de um livro e sintetizar, com algum esforço, as coisas nas quais ele me fez pensar, as lições aprendidas, as mensagens assimiladas, os ensinamentos, e gosto de poder passar isso para uma resenha. Com Drácula... eu simplesmente não sei o que citar nesse tópico. No exemplar que li, um estudo (quase um TCC, só que mais curto) sobre a obra, feito anos depois de seu lançamento, por uma escritora, vinha como introdução. Ela, provavelmente uma doutora em literatura (não lembro agora), fez várias análises sobre as mudanças dos estilos empregados nas narrativas através dos anos, e inclusive mencionou supostos conflitos sexuais de Stoker manifestados através de sua obra; mas eu, como leitora comum (apesar de assídua além da média), um pouco ordinária e sem nenhum doutorado na área, nada além de uma carga considerável de leitura acumulada através dos anos, não assimilei nitidamente nenhuma grande mensagem no livro. Tem todo o conflito entre humanidade e bestialidade, os limiares que circundam esses dois conceitos e tal, mas ao fim do romance gótico, a boa escrita e o enredo envolvente sobrepujaram infinitamente essas reflexões para mim, entendem? Infinitamente. Então eu recomendo o livro pela escrita, pelo estilo e pela história, mas não posso dizer nada sobre uma pontinha didática que eu talvez tenha deixado passar. Ainda assim, está recomendadíssimo, hein.
Ademais, numa era de vampurpurinos (vampiros purpurinados), homens dentudinhos e sedutores em sua voracidade, gateeenhos e boys misteriosos e pálidos mais pegáveis dos rolês, que é como o cinema e a literatura têm representado esses seres atualmente, ler o que talvez seja o maior e mais legítimo alicerce das lendas vampirescas se torna uma experiência, além de tudo que já mencionei, divertida e curiosa. Ver o quanto Drácula destoa de Edward Brilho de Verão da Silva Rodrigues Cullen chega a ser cômico. E foi interessante saber de certas características vampíricas cimentadas pelo próprio Stoker, com base no que se especulava a respeito em sua época, e que foram totalmente esquecidas pelas representações de hoje em dia. Quer dizer, hoje a gente ''sabe'' que os vampiros só gostam da noite, chupam sanguinho pra sobreviver, têm alho como sua kriptonita, viram morceguinho pra dar uns rolês de vez em quando e... basicamente é só isso que é repassado e difundido hoje em dia. Mas MEUS AMIGOS, a coisa vai TÃO mais além disso que eu me sinto tentada a acrescentar umas Curiosidades Vampíricas Segundo Stoker a essa resenha (que já está enorme, eu sei, eu sei).
Mas enfim, mas então, mas e agora, se você teve força de vontade o suficiente pra chegar até o fim desse texto, dê uma chance a Drácula, porque lê-lo certamente será uma tarefa bem melhor do que aturar meus textões; e se esse meu último argumento não te empolga o bastante para embarcar na leitura, pense na ideia de poder ter acesso à Lista de Curiosidades Vampirescas Oficial e poder jogá-la na internet pra roubar os fãs de Crepúsculo pro Drácula, que tal?
Sério, leia o livro.

Sobre os personagens vivendo o livro todo através de seus escritos em diários:
''O HÁBITO DE REGISTRAR MINUCIOSAMENTE OS FATOS DEVE DIMINUIR O PODER DA ANGÚSTIA.''

31/05/2017

Sobre Maio (2017)

Uma coisa bem comum na internet, especialmente quando falamos de blogs pessoais, são postagens que fazem um resumo geral do mês de quem as escreve. Eu costumo gostar de ler esses textos, porque um panorama minimalista do cotidiano normalmente mistura várias coisas de um jeito simultaneamente dinâmico e divertido. É legal ver como, em intervalos pequenos de tempo (três dias, uma semana, um mês...) a vida dá umas reviravoltas meio WTF, misturando vários eventos diferentes e sem conexão entre si, mas que acabam se encaixando (ou não) nos nossos dias de maneira plena.
Um outro ponto positivo desse tipo de postagem é a possibilidade de, tempos depois (no fim do ano, talvez), podermos ler esses textos e rememorar esses acontecimentos fazendo um balanceamento do que houve conosco. Lembrar das coisas boas que aconteceram, das risadas e choros, das novidades, dos progressos e regressos e das coisas não tão boas assim mas que nos transformaram no que somos hoje e, portanto, para o mal ou para o bem, fazem parte de nós. Nos ajuda a refletir, sabe? Gosto de refletir.
Mas claro que esse apanhado de eventos também é composto por coisas do tipo livros, filmes, séries, animes, música e etc que conhecemos pela primeira vez. Esses detalhezinhos não tão irrelevantes assim (principalmente quando incluem coisas boas e de qualidade - ou qualquer livro porque livro é sempre digno de nota na minha vida) também devem ser mencionados, tal como acontecimentos mais abrangentes, do tipo entrei na faculdade mas desisti de cursar, meu cachorro saiu pra passear e nunca mais voltou e fulano vai se mudar pra Portugal (exemplos baseados em histórias reais).
Eu escrevi esses três parágrafos pra quê? Pra mostrar que transformo qualquer merda em textão que ninguém merece ler Pra dizer que vou aderir a esse costume, de fazer essas pequenas (ou enormes, quem sabe) retrospectivas ao término de certos ciclos que se encerram (que é só um jeito bonitinho de designar ''meus meses''). Começando agora. E ainda há o bônus de fazer com que essas postagens não deixem o blog se perder no tempo, mantendo ele minimamente atualizado mensalmente. Mas enfim, vamos ao que não interessa porque no século XXI ninguém tem muito tempo pra ler blog de uma pessoa que é, tipo assim, eu.
Como o leitor fica quando vê que
transformei cinco frases num textão
quilométrico.  
Leituras
Eu tô bastante envergonhada com o número de livros lidos nesse mês e no mês passado, putz. Eu tenho uma meta pessoal implícita de ler pelo menos 4 livros por mês. Cinco seria ótimo, claro, mas 4 é o número mínimo. Como eu supostamente devo estudar pro vestibular à noite (das seis à meia-noite) e durmo a manhã toda, me restando apenas um turno completamente livre (tô fingindo que uma manhã inteira dormindo não é ''tempo livre'' pra me sentir menos inútil, ok?, obrigada - vida de pessoa desempregada), tenho como meta ler no mínimo 50 páginas por dia. São objetivos meio fáceis de se alcançar, na minha situação de vida atual (ócio), então é meio desanimador quando a coisa não acontece. Não aconteceu nesses dois últimos meses.
Acho que li só um livro mês passado (Os Lobos) e abandonei outro, e isso tá na lista de coisinhas imperdoáveis na minha vida. O livro lido era denso e um pouco demorado de ler, e o abandonado (Desafio Mundial) mais parecia um TCC de economia, sério, e abandonei depois das 120 páginas, depois de muito lutar com ele durante umas duas semanas. Triste.
Esse mês, li dois e meio, e isso também é bem bosta.
A biblioteca em que eu era sócia voltou pro prédio antigo depois de uma reforma de um ano, e eu fui toda apaixonada e babona pra lá, revê-la. Devo ter ficado quase duas horas namorando os livros, e pude trazer um pra casa ~debaixo dos panos e meio secretamente~ (antes de refazer a carteirinha que foi anulada depois da mudança, e é obrigatória para a locação de livros) porque o David (melhor bibliotecário do mundo, fã de Senhor dos Anéis e parecido com um Hobbit - juro) me conhece de anos e sou figura frequente por lá, então viva privilégios de leitora assídua/cliente VIP, yey.
Peguei os volumes II e III de uma série que comecei (e
não terminei, né; peguei o segundo volume porque só li o primeiro mesmo) no primeiro ano do ensino médio, quando uma colega me emprestou. Dezesseis Luas (a série vai até a lua dezenove, quatro livros). Bem infantojuvenil e simplesinha, mas tenho que concluir porque meu cérebro não me deixa ficar com coisas inacabadas. Foi legal ler, embora o enredo tenha falhas, porque me deixou com aquele sentimento de adolescência, ensino médio, tempo de escola, nostalgia, sabe? As capas são lindas, e ainda preciso ler o volume IV, que não tem na biblioteca.
O livro inacabado é Drácula. O clássico e original, ele mesmo. Tô na metade e tô gostando demais do estilo gótico, mas não vou falar muito aqui porque em breve farei uma resenha e postagem só pra ele.

Assistidos 
Quanto a filmes, vi apenas Argo esse mês, acho. Finalmente. Não ter TV assinada é um problema, então assisti na globo mesmo. Gostei e recomendo (o filme, não a globo, por favor).
Também tô na quinta temporada de House e tô amando a coisa toda. É uma experiência à parte ver uma série ambientalizada em um hospital, local que é um dos cernes da profissão que quero exercer no futuro e que é sinônimo de uma competição desgraçada do capireba, medicina. Eu tô só um pouquinho viciada. Acho que as cinco das oito temporadas foram vistas em menos de dois meses, então...
O House é um cretino, um ser humano bem desprezível e toda a isolação, falta de amigos e desgraceiras emocionais que acontecem na vida dele são justificáveis por causa de toda a cretinice do cara, mas eu amo porque fuck the logic.¯\_(ツ)_/¯ Humano terrível mas médico incrível, e essa rima quer dizer que perdoamos ele e a série é boa e deve ser assistida graças a ele, obrigada.
Acho que termino ela mês que vem, quem sabe.

Outras coisinhas

Entrei em uns grupinhos de blogs no facebosta (esse é o nome que a rede teria se eu fosse o Mark Zukerbadaudguyf), e é bem legal ter esse tipo de suporte, porque rolam vários temas diferentes sobre os quais escrever, uma interação bacana e blogagens coletivas um tanto engraçadas. Acaba sendo um incentivo a mais pra parar, sentar e escrever coisas bonitinhas ou feinhas, toscas mas engraçadas, irrelevantes mas gostosas de passar pro papel blog. Enfim, a interação ocasionada por esses grupos vai ser uma presença frequente aqui, certamente.
Quando vi que mais gente sofre com bloguinho.
~Vamo se abraçar.~
Eu também dei uma futricada bonita na blogosfera e atualizei o blogroll com 39849989 novos blogs legais que achei pra ler. Amo ler coisas singelas sobre a vida das pessoas, ainda mais porque esse hábito tem sido deixado de lado, abrindo espaço a quinhentos sites muito mais informativos que pessoais. Mas prefiro mil vezes mais ler um texto sobre um causo engraçado de infância do que um tutorial de maquiagem, por exemplo (embora eu me maquie mal ao ponto de esse tipo de leitura virar até uma ideia louvável).

Maio também foi um mês de festas. Falando assim parece que mergulhei em quinhentas baladas madrugada adentro, mas não, não mesmo, jamais. Festa de 15 anos de uma amiguinha (não tão inha assim, já tá com 15) da minha irmã mais nova; fui com a família e minha cunhada. Dançamos até cansar e devo dizer que eu nunca acreditaria que um dia poderia dizer isso, ''dancei até cansar''. Eu sou a típica pessoa desajustada que fica no cantinho com cara de bunda enquanto o povão tá na pista, mas houverem duas exceções esse mês porque eu estava com meu irmão mais novo (somos 4 filhos aqui em casa, uma hora eu falo mais) e a cunha e ele é completamente doido da cabeça, o tipo de pessoa que fica imitando o Mr Bean no meio da pista enquanto o pessoal requebra até o chão. O bendito consegue arrastar minha cunhada junto e eu vou atrás porque dane-se dignidade, não é mesmo? Ri do início ao fim, porque maninho dançando é algo que transcende nossa capacidade de tentar leva a vida a sério.
A outra festa foi de casamento. Um casal de amigos (21 a 22 anos, mais ou menos) realizou a cerimônia seguida de festa e eles vão se mudar pra Portugal essa semana, onde uma outra família de amigos já está atuando, como missionários. Sem entrar na deprê das despedidas (outra hora desenvolvo isso), posso dizer que a festa foi tão ou mais bizarrinha que a dos 15 anos, quando o assunto for eu, meu irmão e minha cunhada na pista.
Também conheci a namorada de um dos meus melhores amigos e não posso deixar de dizer que foi engraçado.
Nós na pista.
Também participei da organização de um brechó que visava arrecadar fundos para o ministério infantil da igreja. Ocorre anualmente e participei dos outros três que tiveram. Eu gosto, me divirto bastante com toda a dinâmica da coisa, com toda a correria de atender clientes que aparecem do nada, ir atrás de troco e, claro, arranjar um tempinho, no meio de tudo isso, pra fuçar nas fileiras de roupas e objetos, além de mergulhar em caixas e mais caixas de peças em liquidação.
No fim, consegui comprar uma bolsa/mochila de couro, um ray ban e um vestidinho grosso por 6,50 TUDO. Os preços estavam ridículos de baixos, e acho incrível termos conseguido arrecadar cerca de 1600,00 reais vendendo vestidos por cinquenta centavos (!!!) e ray bans por um real (!!!).
Quando vi o Ray ban por um real.
Adotamos uma gata que apareceu aqui em casa. Estado intermediário entre filhote e adulta. Fiquei trinta horas na cozinha/sala tentando descobrir de onde raios estava vindo aquele miado (pensei que ela fosse muito pequeninha e tivesse entrado dentro do sofá - ?), até chamar meu irmão, ele chegar, olhar pra cima e... ela tava no telhado. Óbvio. É linda, tem olhos azuis incríveis e pelo acinzentado com ''manchas'' pretas nas extremidades do corpinho (patas, focinho, rabo, orelhas). Taiane (minha irmã mais nova) insiste em dizer que ela ''viu primeiro'' (sim, esse tipo de discussão ocorre aqui em casa) e, portanto, tem o direito de escolher o nome. Ficou Lua, depois de eu sugerir Luna. Não sei bem o que é (provavelmente os olhos), mas ela passa uma sensação de luar (?). Já tá virando estrela do meu instagram.

Eu também ando meio viciada nas músicas da Melanie Martinez, mas isso não começou esse mês, na verdade. Li um texto sobre ela no Valkirias (que site lindo, plmdds) uns tempos atrás, depois de ver brevemente a participação dela no Lollapalooza, na globo (cê perceba de novo o sofrimento da pessoa sem TV assinada), e fiquei encantada pela excentricidade do visual dela (aqueles cabelos, minha gente) e pelo estilo das músicas, que é bem diferente do que costumo ouvir comumente, diga-se de passagem. Aí resolvi conhecer mesmo e fui pro Spotify, ouvir o único (acho) álbum dela, Cry Baby. Escutei o negócio inteiro umas 165487+.9.645.+97+.95.49446654 vezes desde então.
Training Wheels, que musiquinha do amor.
''Olha que menininha linda!'' ... You died.
Eu sei que já acabei falando da biblioteca que, depois de sair do meu bairro para uma reforma, finalmente voltou ao lugar do qual nunca deveria ter saído (esse ''lugar'' é ''ao meu lado'', claro), mas eu vou destacar essa informação de novo porque BIBLIOTECA AMO QUERO. Fiquei um ano, aproximadamente, lendo os livros que eu tinha ''roubado'' da antiga escola (eles iam vender pra um lixão; fiz meu dever) mas que a princípio eu deixava na estante porque os livros da biblio gritavam meu nome alto demais e eu não conseguia resistir. Mas quando a biblioteca se mudou, eu tive um tempo legal pra ler os cerca de 50 ou 60 livros roubados. Várias leituras foram muito amorzires! Porém, quando terminei eles, fiquei QQ EU FAÇO AGORA MDS ONDE ARRANJAR LIVROS AGORA QUE A BIBLIOTECA NÃO TÁ MAIS AQUI (não tenho dinheiro pra comprar), e calhou da biblioteca voltar pra perto da minha casa bem nesse momento. Fui lá apaixonada, encantada, babando e já restabelecemos nossa relação e amizade.
Ela saiu do local antigo para a reforma e voltou agora para o mesmo terreno mas em um prédio novo e diferente, que abriga o ensino médio que a instituição abriu esse ano. Meio bosta ter que encarar um monte de adolescentes babacas me encarando (nunca me dei bem com esses povinhos, não adianta) toda vez que vou lá, porque o prédio da biblio e das salas de aula é o mesmo, mas isso só conseguiu me desanimar (bastante) até eu colocar os olhos nos livros mesmo.
Antes ela ficava num prédio de ensino fundamental/creche, então eu acabava tendo que ''interagir'' (de maneira mínima, claro) apenas com criancinhas, coisa que era até agradável e acabava rendendo umas situações engraçadas, mas outra hora eu falo sobre isso aqui...
Quando eu soube que a biblioteca tinha voltado.
Acho que é isso. Esse post ficou uma bagunça desgraçada... não esperava que ficasse tão random assim, mas ok.
Vou ver se volto pra algo semelhante mês que vem. ;)

Post patrocinado por Giphy, melhor site de GIF d.a v.i.d.a (porque eu sou imbecil o suficiente pra fazer merchan de graça).

Tive que repostar (?) a postagem (copiar, excluir, colar e postar) porque o site deu um bug desgraçado que ENGOLIU metade dela, sumindo, de uma hora pra outra, com o texto que tava lá, inteirinho, bonitinho, lindo e maravilhoso. Selo QQTACONTESENO de qualidade.