18/10/2017

A Estrada das Flores de Miral

Da Rula Jebreal 
O cenário é a região do Oriente Médio que abriga o conflito constante que ocorre entre Palestina e Israel, no qual as duas nações disputam pela dominação do território palestino, num embate que se arrasta desde o século XIX e que teve início com o movimento sionista judeu, quando esse povo migrou massivamente em direção àqueles territórios em busca da Terra Prometida. Desde então, muçulmanos (parte do povo palestino) e judeus (povo israelense) têm lutado pela soberania da região, num embate profundamente marcado pelo fanatismo e intolerância religiosos.
Com a constante repressão que Israel provoca sobre os palestinos, ao deter maior parte do controle sobre a região por meio da ocupação militar e graças a um poderio armamentista maior, muitos deles acabam conhecendo apenas esse território opressivo em que lhes é negada uma identidade, uma pátria. Acabam sendo um ‘’povo sem nação’’, expressão que aparece algumas vezes ao longo do romance. 

''[...] a ocupação militar é um monstro feroz. Ela extingue lentamente os seus sonhos, suas esperanças e até mesmo o seu futuro. E, gradualmente, muda quem você é.''

''Não quero virar um herói. É suficiente para mim ser um soldado lutando por um país que não existe, mas é meu.''

E é sobre mulheres que crescem nesse cenário e fazem parte desse povo desamparado que esse livro fala.
Toda a história gira em torno de Dar El-Tifel, um orfanato para meninas nascido da vontade de uma mulher fortíssima e à frente dos limites impostos por sua própria cultura (de costumes extremamente conservadores, principalmente se tratando de mulheres) de ajudar crianças abandonadas em meio àquele ambiente de guerra e violência. Essa mulher se chama Hind, e a partir dos primeiros capítulos em que conhecemos sua história, temos contato também com a jornada de várias outras meninas e mulheres (cada parte do livro, com exceção de uma – são cinco ao todo – leva como título o nome de uma mulher) cujos caminhos cruzam o daquela instituição que passou a ser tão importante e querida na comunidade. 
Este livro, portanto, é definitivamente um livro sobre mulheres – mulheres simples, complexas, saudáveis, doentes, esquecidas, privilegiadas, resistentes, frágeis, maltratadas, amadas, odiadas... Mas todas mulheres que escrevem a própria história.
Com uma linguagem muito simples e acessível, o livro aborda e discursa com propriedade sobre temas muito pertinentes e atuais: extremismo, intolerância, machismo, política, repressão, guerra, violência, religião e uma gama de outros tópicos, tudo tendo como pano de fundo a vida de várias meninas do orfanato, que são afetadas e crescem envoltas por todas essas questões.
Embora o livro passe quase metade das páginas alternando entre uma protagonista e outra, ele acaba culminando na história de Miral, uma moça de Dar El-Tifel que vemos crescer e perder sua inocência e ingenuidade aos poucos, ao ver a realidade de seu povo. Não demora para que ela se envolva politicamente e se torne uma militante engajada, participando de inúmeros protestos e iniciativas que constantemente colocam sua vida em risco.
Através de sua luta e motivações, vamos refletindo sobre todas essas questões e esse cenário – que é real, existe e está acontecendo agora mesmo, enquanto estou aqui digitando esse texto – vai tomando forma de maneira mais nítida em nossa cabeça, nos fazendo atentar para essa realidade que corre no outro lado do globo.
No comentário que vai no topo da capa, feito pelo(a) crítico(a) de não lembro que jornal (e a péssima resolução da foto nesse post também não ajuda a visualizar), diz-se que ''esse livro humaniza o conflito entre palestinos e israelenses''. Essa frase é perfeita e eu não poderia escolher uma sentença melhor para resumir o que encontramos entre essas páginas.
Acima de tudo, o que A Estrada das Flores de Miral faz é nos contar uma história. Não para que ela vire um best seller e encha os bolsos de uma editora, mas para que ela se torne conhecida e não seja esquecida com o tempo, jamais. Nos conta a história de pessoas reais que estão vivendo e cuja existência precisamos conhecer, porque só através da informação aquele cenário pode ser mudado.
A Estrada das Flores de Miral dá nome e rosto a inúmeros personagens de manchetes e reportagens trágicas que chegam até a nossa mídia sem quaisquer nomes e rostos. 

"[…] ainda estava abalada, como se fantasmas que até algumas horas antes existiam apenas em matérias de jornal ou relatos na televisão tivessem subitamente se materializado e assumido rostos e nomes bem definidos."

Essa história - apesar de simples, fictícia e claramente voltada ao público juvenil - atua como uma espécie de testemunho histórico do que acontece naquela região do Oriente Médio que nos parece tão distante mas que abriga trajetórias, vidas, pessoas, crianças e mulheres iguais a mim e a você.
E como é quase uma omissão nos negarmos a enxergar realidades diferentes das nossas, esse livro é importante, sim, e torço para que muitos outros como ele sejam publicados, popularizem e alcancem um número maior de pessoas.
E ele é muito bonito.
Então, bom, eu recomendo pra caramba - e arrisco dizer que você vai gostar ainda mais se for uma mulher que não se conforma com o que deve ser mudado (oi, patriarcado).

''ELA TINHA A SENSAÇÃO DE PERTENCER ÀQUELA PORÇÃO DA HUMANIDADE QUE NÃO SE RESIGNA E SE SUBMETE ÀS CIRCUNSTÂNCIAS, MAS, EM VEZ DISSO, RESOLVE MUDÁ-LAS.''

15/10/2017

Últimas Tardes Com Teresa

Do Juan Marsé
Tirei da estante na maior inocência esperando o livro leve e fluído que o título e a capa bonitinhos pareciam anunciar, mas fui surpreendida por uma história política que discute ideologias implicitamente e uma narrativa densa pra caramba, usando como catalisador o romance fugaz de um casal de classes bem antagônicas.
Embora eu deteste espanhol (pois é), ultimamente tenho me apaixonado bastante por livros desenvolvidos nesse idioma, e essa é a língua mãe de alguns dos meus escritores favoritos. A escrita de Últimas Tardes Com Teresa, por sua vez, não foi ruim, apenas bastante diferente do que eu esperava. 
Marsé tem aquele estilo meditativo e romântico que sai devaneando dentro dos assuntos que estão sendo abordados, de modo a fazer com que tópicos a princípio conduzidos de maneira superficial acabem cobrindo páginas e mais páginas graças às reflexões que o escritor desenvolve através deles. Embora eu decididamente não desgoste desse tipo de escrita (sou Uma Criatura Melancólica Que Devaneia Muito), ela faz com que a leitura se torne um tanto dispendiosa e complexa, exigindo plena atenção do leitor em cada parágrafo, para que a linha de raciocínio não se perca. Por esse motivo, UTCT foi uma leitura muito mais densa e com muito menos leveza do que eu esperava.
Nessa história, conhecemos Pijoaparte (que também atende por Manolo e tem tantos apelidos que eu nem sei mais qual é o verdadeiro nome dele, desculpa aí), um rapaz inculto, nem um pouco versado nos assuntos discutidos nos grandes ciclos de conhecimento e informação, sem qualquer tipo de formação acadêmica ou profissional, e um miserável que se sustenta com o dinheiro que consegue com o roubo e desmanche de motocicletas, numa oficina que pertence a um líder de quadrilha na comunidade pobre em que ele vive; e conhecemos também Teresa, uma moça rica e da alta sociedade, que mora num casarão com empregadas (uma delas é Maruja, com quem Pijoaparte se relaciona a princípio), viaja com frequência, frequenta uma universidade cara, tem tudo que o dinheiro pode oferecer e é rodeada por amigos e colegas de classe alta, com os quais milita por causas que muitas vezes nem entendem.
Eles poderiam ser completos antagonistas se não fosse por um pequeno detalhe: ambos tem um interesse especial pela vida um do outro, por razões específicas, distintas e um tanto oportunistas, se formos parar para pensar. Por se interessarem mutuamente, acabam desenvolvendo um relacionamento meio capenga, e é essa relação que nos trás à mostra o que o autor queria retratar: a contraposição de classes que, postas lado a lado, evidenciam um contraste, quase uma antítese, impossível de ignorar.
Pijoaparte é um cara um tanto cretino, pra dizer o mínimo com manias de grandeza que não se conforma com a própria pobreza e está constantemente buscando oportunidades de fugir de sua vida ordinária; é numa dessas oportunidades que ele acaba se envolvendo com Teresa, a moça bela, rica e culta que tem tudo que ele jamais pôde ter. É por isso que ele se liga à Teresa, por sua vontade de negar as próprias origens e experimentar o que o mundo dos ricos pode oferecer.
Teresa, por outro lado, é uma jovem privilegiada, mas imatura, crescendo num ambiente (o da universidade cara) povoado por ideologias, movimentos sociais e questões políticas que ela, como a maioria de seus colegas, pouco entende mas segue apregoando porque né, vamos tentar ser cultos aqui, mesmo que para isso a gente precise repetir frases decoradas cujo significado, em verdade, desconhecemos. 
Ela está frequentemente dentro de discussões políticas com o grupo de amigos que tem, vai a passeatas em nome dos desfavorecidos, milita por causas que lhe parecem justas, protesta, se revolta, discute, luta e por aí vai. Quando ela conhece Pijoaparte, aquele cara de um universo completamente diferente do dela, um rapaz pobre que sofre a desigualdade social na pele todo dia, ela – tal como seus colegas e o parceiro amoroso de então -  fica fascinada, porque ele é o epítome de toda a classe pela qual ela se interessa e, a seu modo, luta, e que é totalmente diferente e nova para ela. 
E é por isso que ela se liga a Pijoaparte, pela oportunidade de tocar esse mundo no qual ela pensa tanto e que está muito presente em suas ideologias, mas que também sempre esteve muito distante.
O que Marsé faz aqui é muito semelhante ao que John Fowles já havia feito (de maneira melhor, na minha humilde opinião - embora eles tenham pontos distintos e não sejam lá muito comparáveis) apenas três anos antes com outro clássico, um dos meus favoritos, O Colecionador (LEIAM ESTA BAGAÇA, JÁ). Ambos colocam duas personalidades opostas num mesmo plano e deixam os acontecimentos correrem, para que vejamos a patente dualidade que há na situação. Mas O Colecionador faz isso de maneira mais contundente e passa longe de carregar a inegável sutileza presente em Últimas Tardes Com Teresa.
O livro, trabalhando essas questões, acaba sendo um ensaio sobre gerações e classes que se opõem – bem diferente de toda a coisinha mamão com açúcar que eu supus pela capa.
Embora esse talvez não seja o centro da narrativa, o que mais me chamou atenção foi a forma com que Marsé sintetiza em Teresa e seus colegas toda uma geração de jovens que crescem meio perdidos entre ideologias, posicionamentos e frentes políticas/sociais distintas, sem nem saber, muitas vezes, o que é o quê (em vários momentos em que estamos dentro da cabeça de Teresa e seus amigos, o autor deixa evidente a confusão e ignorância deles diante dos próprios comentários, que fazem meio receosos, sabendo que podem não ter muito sentido ou coerência, mas torcem pra que ninguém mais note isso), mas mantendo uma postura militante e repetindo os mesmos discursos (ctrl + c ctrl + v) over and over again mesmo assim. 
O livro foi publicado em 1966 tendo como cenário a Espanha, mas ao lê-lo lembrei de um conhecido falando sobre como participou de algumas passeatas de protesto que ocorreram no Brasil em 2013, mas voltou pra casa desanimado e desiludido após conversar com algumas pessoas e perceber que, no meio daquela multidão com o rosto pintado e bandeiras em punho, muita gente não tinha nem ideia de por que estava ali e estava mais ~seguindo o fluxo~ do que qualquer outra coisa.
Enfim, são questões.
Pra concluir, digo que o livro me fez pensar, e pra mim isso sempre valida uma leitura; mas ele está longe de ser um favorito, porque acabei achando a narrativa do Marsé muito mais prolixa do que necessário, ao ponto de se tornar exaustiva. Tudo acaba sendo abordado de maneira tão densa e cansativa que isso quase põe em xeque as questões que o livro busca discutir, visto que elas acabam sendo soterradas por aquela narrativa um tanto maçante. Mas isso é a minha opinião, e deixando ela um pouco de lado, não vou desencorajar ninguém a lê-lo... Desde que você seja paciente e bem determinado. 
E, REFORÇANDO, também não deixe de ler O Colecionador, pelo bem do nosso relacionamento de dona de um sitezinho tosco e leitor, capiche?

Era até curioso: ela nunca teria imaginado que isso fosse assim, nunca havia conhecido ninguém como ele, vivendo sozinho e em luta permanente como ele, ela jamais teria imaginado que sua indigência fosse sua força, sua expressão mais firme da verdade. Pensou precipitadamente: tão pouco eu, até há pouco, acreditava estar tão sozinha e desorientada; porque as coisas não foram como pensava, como todos diziam que eram, como me ensinaram em casa e na universidade. Mas ele acaba de me convencer de que assim somos nós, e assim são as coisas, assim acontecem.”

11/10/2017

Sobre Setembro (2017)

Eu fiquei uns bons minutos procurando imagens sobre setembro no We<3It pra introduzir esse post, frustrada por só encontrar coisas fofinhas (nada contra), quando caiu a ficha que CAROLINA, SUA TONTA, Green Day pode te ajudar muito nisso (sempre). Então cá estou seguindo a tradição do Internauta No Mês De Setembro e repetindo a famosa poesia contemporânea ''wake me up when september ends'' (um pouco atrasada agora, claro).

Achávamos que a Meg (nossa cadelinha) estava grávida, mas como não tínhamos visto nenhum cachorro por perto e mantivemos o nosso (Amarelo, O Defensor das Ruas) separado dela, passamos a achar que ela tava com gravidez psicológica. Tivemos quase certeza dessa segunda hipótese quando a barriga dela literalmente murchou depois de ter ficado disfarçada de botijão de gás por umas semanas. Só que na primeira semana de setembro minha mãe viu uma substância viscosa (?) pelo pátio e a Meg tava toda territorial com um canto dos fundos da casa, sem deixar a Pantufa (nossa outra cadela; somos uma grande família feliz) chegar perto (na verdade, TOCANDO O TERROR na Pantufa e correndo LOUCAMENTE atrás da bichana com o dobro do tamanho dela pra EXPULSAR a pobrezinha do território), então desconfiamos, fomos procurar e achamos o corpinho de um filhotinho que nasceu morto enterrado. </3
Achamos que demos a injeção anticoncepcional tarde demais, quando a gestação já devia ter iniciado, e depois de pesquisar sobre esse método e ver os vários problemas que ele causa nas cachorrinhas, vamos ter que arrumar outra maneira de prevenir essa situação. )=
A Meg protegendo o corpinho do filhote partiu meu coração e eu só queria um momento de silêncio por isso aqui. </3 </3 </3
As várias faces de Meg.
(Meg vs Pantufa/ Meg com filhotes)
Na nossa casa, ocasionalmente ocorre um fenômeno muito louco: as coisas EVAPORAM do MAIS ABSOLUTO NADA.
Deve acontecer na casa de quase todo mundo, em certa medida, mas eu juro que é BEM bizarro aqui. Sumiu um perfume do meu irmão que custou uns 400 reais (eu disse bem feito, porque ele totalmente traiu o movimento ao pagar esse absurdo), uma blusa jeans minha que eu queria comprar há tempos e só consegui usar uma vez também se desintegrou (embora eu desconfie seriamente que o nome dessa desintegração seja Minha Bendita Irmã Mais Nova) e tô chorando até hoje, e esse mês ocorreu outra magya (só isso explica) dessas por aqui.
Tive uma professora de artes no ensino fundamental que contratou um pedreiro chamado Paulo pra fazer umas reformas na casa dela. Algumas coisas começaram a sumir inexplicavelmente e depois de um tempo ela e os filhos descobriram que ele tava pegando e escondendo tudo debaixo da lona em que ficavam os materiais de construção. A partir de então, eles inventaram um novo termo na família: quando algo some, em vez de dizerem ''sumiu'', dizem ''paulou''.
Ai, ai, anedotas.
Mas enfim, enquanto rolava uma briga de gato com o nosso bichano (ele vai muito bem, agradeço a preocupação) e um outro que apareceu no vizinho e todos nós saíamos loucamente pra rua ver que barulho bizarro era aquele e que confusão estava rolando, o celular do meu pai sumiu sem nenhuma explicação.
Nós realmente encarnamos o Sherlock por horas e paramos no meio da cozinha (último lugar em que ele tinha sido visto - o celular, não o Sherlock) elaborando mil teorias e tentando achar uma explicação para o sumiço. 
Como o terreno ao lado da nossa casa está pra alugar, minha mãe bolou o seguinte esquema: enquanto eu saía pela porta dos fundos correndo para a frente (onde os felinos encenavam Clube da Luta) pelo corredor lateral e deixando a porta aberta (dá pra entrar na nossa casa por três portas, e uma delas é essa dos fundos), um ladrão totalmente Jackie Chan treinado por Bruce Lee e que fez estágio com o Arnold Xuárzenéguer conseguiu a FAÇANHA de, após ficar esperando uma oportunidade no terreno vizinho, pular a cerca pra nossa casa, entrar na cozinha em que estava o celular pela porta que eu (sempre eu) deixei aberta, catar o celular, sair da casa, pular a cerca e fugir novamente pelo terreno do vizinho, isso num intervalo de três minutos (JACKIE CHAN TOTAL) em que eu fiquei desesperada tentando tirar o Floco de cima das parreiras, sem atentar para os males que espreitavam a casa.
Segue imagem do curso profissionalizante que o ladrão fez
pra conseguir efetuar o roubo, segundo minha mãe.
Eu sei que parece uma teoria absurda, mas depois de termos procurado POR TUDO (eu cheguei a um ponto de estupefação e desalento em que olhei DENTRO DO FOGÃO A LENHA porque NÃO É POSSÍVEL ESSA DESGRAÇA NÃO ESTAR EM LUGAR NENHUM CARALEOS), essa começou a parecer a hipótese mais provável. Meu irmão procurou até NO TELHADO, gente. TE-LHA-DO, TE.LHA.DO, Te.LhA.Do, no FUCKING TELHADO porque olha, naquela altura do campeonato a desgraça ter sumido daquele jeito totalmente wtf não parecia algo tão mais impossível do que ela ter aprendido a, olha só que doido, SAIR VOANDO.
Depois de termos ficado HORAS confabulando no meio da cozinha, pensando em mil hipóteses e tentando achar um sentido no universo naquele sumiço, fomos dormir PERTURBADOS.
Aí no outro dia, Taiane foi dobrar uma MONTANHA de roupas acumuladas... e o bendito estava enfiado lá no meio. 
Já tínhamos procurado ali? Claro, mas é como eu disse: MAGYA. (Meu pai jura que não tocou ele por lá.)
Quando achamos, ligamos pra mãe, pro irmão, pros vizinhos e pra Globo noticiar. Só não conseguimos ligar pro meu pai no trabalho. E ele? Desesperançado e ridiculamente teimoso e impaciente, já tinha comprado outro logo no dia seguinte.
Quem ficou com o antigo recém encontrado?
Taiane.
Huuuummm...

Em setembro segui firme e forte em minha saga de distribuição desenfreada de currículos, à procura de qualquer merda, até o mundo do crime tá valendo agora um milagre emprego. Meu pai imprimiu uma PILHA de currículos e saí em todas as semanas de setembro largando eles pela cidade como se não houvesse amanhã (se alguém me ligar de um puteiro não vai ser surpresa nenhuma). Agora restam só três.
Quantos telefonemas, ofertas e oportunidades eu recebi em troca? Se você pensou em dois, você errou. Foram zero mesmo.
Eu Diva do Crime
A Taiane ganhou uma chapinha esse mês e eu ergui minhas mãos pro céu em agradecimento.
Sou totalmente defensora dos cabelos naturais, mas acontece que cortei a franja, e se você já teve ou tem franja deve saber que não há CONDIÇÕES de manter uma sem chapinha, se seu cabelo não for naturalmente liso pra caramba.
Eu tinha uma que minhas primas trouxeram do Canada pra cá, e como o esquema de cargas das tomadas canadenses difere do nosso, eu só podia usar a chapinha com um transformador, pra adaptar a carga ao padrão brasileiro. Sem transformador, a bendita ia EXPLODIR.
Nunca explodimos a chapinha, mas o Tiago (meu irmão mais velho; somos uma grande família quase feliz^2) conseguiu o feito de explodir. o. transformador. #IroniasDaVida Assim, fiquei meio ano tendo que conviver em público com uma franja que desafiava as leis da gravidade e deixava Newton afrontado todos os dias. Eu não tinha mais forças pra continuar, então quando a Taiane chegou com uma nova chapinha em nossas vidas nós ficamos mais ou menos assim:
(Eu sou o Pelé.)
Além de brigar com sazonais intrusos, esse mês o gato pegou o costume de sair pelas janelas e ficar rondando pelo telhado e por cima das parreiras da nossa casa (aquele corredor lateral de que falei no Caso do Ladrão Mágyco Bruce Lee e mais a parte da frente do nosso pátio são encimados por parreiras - que eu amo e são muito fotogênicas, diga-se de passagem). Até aí ok, ele é um gato desbravador que ama trazer os lucros de suas explorações para a mamãe (eu). Mas o bendito começou a sair durante a madrugada e, enquanto estou bela no meu beliche (posicionado pouco abaixo da janela do quarto, que dá direto pro corredor lateral cheio de parreiras) lendo no silêncio da noite, com a janela aberta pra entrar o vento, o desgraçadinho (mentira, amo) SE JOGA em cima de mim e totalmente cames in like a wrecking ball vindo do escuro, misterioso e potencialmente assustador silêncio da noite. Já me provocou várias paradas respiratórias que só consegui contornar com contagem até dez, chá de frutas vermelhas e imagens de paz que eu não queria revelar aqui mas que envolvem o Kit Harington sem camisa extraídas do episódio em que Jon é esfaqueado e fica sem roupa pra limparem o corpo dele e tal, caso surja interesse.
Impressionante como tem de TUDO na interneta.
Fui a mais uma consulta por causa da alergia que vem DESTRUINDO MINHA VIDA desde o primeiro resumo mensal que fiz aqui (dá medo repetir isso em voz alta).
Depois de umas sete (não sei mais, perdi a conta) consultas, mais de cinco tratamentos diferentes e mais de 400 reais gastos com isso, eu sinceramente não sei mais o que dizer, só sentir. #PrayForCarolPLEASE
Total de caixas de remédio que tivemos que comprar.
Houve noite na casa dos amigos até às 4 da madrugada rindo de histórias vergonhosas que não estou autorizada a divulgar e de experiências de quase morte emocional em brinquedos assassinos de parques de diversão.
Também houve noites de Bel (cunhada) aqui em casa jogando com a gente (desenterraram um joguinho de vareta dos fundos sombrios de uma caixa de tralhas e minha mãe se sentiu expert explicando as regras desse jogo que ela conhece ''desde muito antes de vocês quatro nascerem, fiquem sabendo''; estamos chamando ela de Mestre das Varetas desde então), assistindo a filmes e fazendo bagunça com comida na hora de montar hambúrgueres, porque não tinha bacon o suficiente pra montar dois pra cada um, então, já que estamos falando da nossa família primitiva e selvagem, naturalmente rolou fight.
What I meant.
Foi aniversário da Taiane esse mês (15 anos SOCORR) e fizemos uma festa surpresa para ela, no dia 7 de setembro. Não sei se eu já disse, mas aqui em casa todos, com exceção da minha mãe, fazemos aniversário em ''dias especiais'': Tiago no dia das crianças (trouxaaaaa, só ganhava um presente enquanto eu ganhava doiiiiisssss, nanananá), Mateus no dia dos mortos, Taiane no dia da independência do Brasil e eu e meu pai não fazemos em nenhuma data popular no calendário, mas juntos no mesmíssimo dia, 16 de fevereiro - coisa que não deixa de ser peculiar, de certa forma.
Mas enfim, Bel veio aqui (acho que vou ter que fixar um post com uma lista de Nomes De Pessoas Que Fazem Parte da Minha Vida E Quem São Elas em algum lugar da barra lateral do blog, pra ninguém ficar perdido quando eu citar nomes) ajudar a ''decorar'' e ajeitar a comida COMIDA AMO COMIDA QUERO ADOREI MORRI.
A gente grudou uns balões no teto e montou um mural de tnt com as cores do grêmio pra tirar foto - só que minha mãe também grudou com dupla face a camisa do Grêmio, um dos presentes, no tnt, mas depois a Taiane tirou a blusa e ninguém desgrudou a dupla face, então as fotos com os convidados ficaram num cenário grêmio e listras brancas carroceiras penduradas. Nada mais apropriado.
ENCHEMOS uma mesa de potinhos com doces variados, e depois de ter competido com o Mateus pra ver quem conseguia colocar mais balas de minhocas azedinhas na boca (esse é o tipo de irmandade que a gente tem aqui), uma das amigas da Taiane (todas elas parecem bem mais mulheres do que eu, embora tenham uns cinco anos a menos, e eu sempre acho isso um tanto assustador) disse que uns mini marshmallows (?) que eu não tinha entendido por que eram tão pequenos já que claramente não dava pra tacar fogo neles sem desintegrar os queridos eram aqueles que os americanos colocam no café quente. Obviamente prontamente fiz um café e toquei uma montanha de marshmallowinhos (?!) lá dentro e me senti muito realizada com a ilusão de estar fazendo parte de um seriado americano no natal. (=
Na hora de tirar a Foto da Família (sempre meu pânico nas festinhas), Mateus pegou um potinho de vidro decorativo que fica na sala com uma foto minha de quando eu era criança e quase fui aia num casamento (um dia conto essa história); foto esta que eles sempre usam pra me zoar porque ''meu Deus Carolina tu é muito branca e tá mais branca ainda nessa foto parece um fantasma que aberração sai de perto''. Teteu ficou segurando o pote com a foto da Aia Branca ET e apontando pra ele na hora de tirar a Foto de Família do Aniversário da Taiane. Tiago apontou também (pois CLARO) e depois, quando fui conferir minha câmera, vi que nossa foto ficou assim:
Cortei a cara deles (os dois cretinos estão rindo) porque iam me encher o saco
se soubessem que postei isso aqui (também cortei a minha porque HORROR).
E postaram no facebook.
Quando eu digo que sofro bullying em TODO LUGAR, é DISSO que eu estou falando.

A bibliotecária disse que iam comprar livros para a biblioteca e me pediu uma lista de recomendações. Depois de muita ponderação e incerteza diante da minha estante no skoob, pensei nuns 40 títulos, que com esforço transformei numa lista de 20, que com muito sufoco reduzi pra uns 13, que com mais sufoco ainda diminuí pra seis - só que com duas trilogias disfarçadas ali no meio, então pareciam 6 livros mas na verdade eram 12.
Fui levar a lista à biblioteca e no meio do caminho uma réplica do dilúvio da época de Noé começou. Cheguei encharcada na biblio e David (o bibliotecário mais ótimo de bom que existe) disse ''Meu Deus, você é louca'', abriu a lista e também disse ''nossa, até que é pouco, de ti eu estava esperando um negócio quilométrico''.
Saí fingindo que eram só seis livros mesmo e desde então tô torcendo pra poder vir aqui nos próximos meses dizer que FINALMENTE tive meu momento com Um Dia, Sobre a Escrita e o resto dA Mão Esquerda de Deus, por exemplo. Torçam por mim.
Posando pra foto junto com a lista original
que não tive coragem de entregar pro David.
Também fui ao desfile de 20 de setembro (data tradicionalista gaúcha) que ocorre todo ano na cidade. O tradicionalismo às vezes sem limites daqui (e de outros lugares), o orgulho gaúcho que ignora as próprias falhas e é construído de um jeito torpe e o bairrismo que se faz bastante presente aqui são uma droga. Quer dizer, tudo bem gostar da própria cultura, de tomar chimarrão, usar bombacha e amar o estado (eu amo o RS e amo ser gaúcha, mas LIMITES, AMIGUINHOS), mas quando as pessoas começam a se exaltar achando que são muito superiores aos outros em níveis estratosféricos e numa vibe meio somos a raça ariana do Brasil (coisa que não ocorre só aqui, mas enfim), TEMOS UM PROBLEMA.
Mas eu quase sempre vou ao desfile porque:
CAVALOS!
CRIANÇAS DE MINI ROUPINHAS FOFAS!
CRIANÇAS DE MINI ROUPINHAS FOFAS EM CIMA DOS CAVALOS! <3
E também sempre tem alguém que se ferra tendo que usar alguma fantasia idiota com temática de algum oferecimento do serviço público, e como sou uma pessoa horrível, obviamente adoro ver gente pagando mico e tirar várias fotos disso.
O sr. Semáforo aí de baixo foi a vítima da vez. Tava um calor desgraçado (voltei queimada pra casa, já que a história da Aia Branca ET tem fundamentos) no dia, e se o ser humano ali dentro não morreu de insolação, não há besta apocalíptica na história da humanidade que vá conseguir matá-lo.
Imagens reais do desfile (e dessa vez são reais MESMO, eu juro).
(É sério.)
(De verdade.)
E é isso aí. Até que houve certo ~movimento~ em setembro e deu um trabalhão desgraçado catar gifs e imagens pra ilustrar essa bagaça, então fica aqui meu agradecimento se você teve força de vontade o suficiente pra chegar até essas linhas finais.
Até!
(E é sério, eu juro que agora, depois de tantos posts ilustrados com falsidade, a imagem do Sr. Semáforo é realmente real.)